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DEBATE PODE DECIDIR
Debate em televisão é uma casca de banana. O candidato que estiver no alto do pódio pode despencar com uma simples escorregada. Há quem diga, com absoluta certeza, que decide uma eleição, exatamente...
22/10/2002  23:12
Debate em televisão é uma casca de banana. O candidato que estiver no alto do pódio pode despencar com uma simples escorregada. Há quem diga, com absoluta certeza, que decide uma eleição, exatamente a 72 horas do início da votação. Quem não estiver preparado, é melhor recorrer a algum artifício para faltar. Foi exatamente num debate, que o então candidato Fernando Collor de Melo nocauteou um irreconhecível Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições de 1990. Ninguém pode negar que Collor tenha dado um show e, se já estava à frente das pesquisas, aumentou a diferença. Mas também existem casos inversos. Em 1994, quando o ex-prefeito Jackson Barreto ganhou as eleições, no primeiro turno, para o Governo do Estado, numa disputa contra o governador Albano Franco, foi exatamente no debate do segundo turno, na mesma emissora, que se viu uma mudança no eleitorado. Albano Franco não esteve bem neste confronto e Jackson saiu plenamente vitorioso. Isso provocou uma intensa movimentação da classe média, que foi às ruas eleger Albano Franco, penalizada pela sua fraca atuação na discussão pela TV. No resultado final, Albano foi eleito governador do Estado com pouco mais de 24 mil votos. Talvez pela primeira vez tenha acontecido isso... A TV Sergipe vai realizar o tradicional debate entre os dois que disputam o Governo neste segundo turno. João Alves Filho (PFL) e José Eduardo Dutra (PT) já confirmaram. Há um grupo pefelista que defende a ausência do candidato, mas venceu a vontade de uma maioria que considera muito importante sua presença para expor seus projetos, programa e idéias, em confronto com o seu adversário. Uma coisa o deputado federal eleito José Carlos Machado adverte: “não será como aconteceu em1998, quando João debateu com Albano e perdeu”. Segundo o parlamentar, o regulamento do programa permitia apenas a entrada de dez assessores dos candidatos. João Alves “levou menos que isso, mas Albano Franco chegou com uma caravana de carros, soltando fogos e todos invadiram a televisão sem qualquer problema”. Se isso acontecer mais uma vez, João Alves Filho já comunicou que se retira do prédio. O candidato do Partido dos Trabalhadores, José Eduardo Dutra, está bem afiado nos debates. Afinal está no Senado Federal, onde praticamente usa da tribuna para discutir projetos, medidas e emendas que são apresentadas com freqüência, além de pronunciamentos sobre temas variados. Domina bem os microfones e não estranha as câmeras, o que lhe facilita muito a exposição dos seus argumentos. As palavras fluem com muita naturalidade, e de forma convincente, pelo seu poder de se comunicar com o telespectador. O candidato do PFL, João Alves Filho, não é ruim de debate. Mas já foi melhor. Tem raciocínio rápido, mas é prolixo. Tem um estilo professoral, que detalha muito o tema que exibe e termina extrapolando o tempo que lhe é concedido. Além disso é extremamente zeloso no tratamento com o adversário, evitando grosserias e não alterando a voz, mesmo que seja necessária uma ação enérgica para refutar, com veemência, alguma acusação ou insinuação que lhe seja feita. Nesse ponto José Eduardo leva vantagem. Porque além de não hesitar em levantar a voz, se o momento precisar, ele sabe ser espirituoso e picante. Apesar de ser preparado e ter um bom domínio dos problemas do Nordeste, incluindo-se Sergipe e outros Estados, João Alves Filho quer passar isso ao telespectador com profundidade, entrando nos detalhes. Provoca um certo cansaço a quem está diante do aparelho de TV. Os seus assessores devem orienta-lo a falar mais alto, com um tom de voz forte, sem grandes explicações e deixar de lado o estilo um tanto quanto franciscano, pelo excesso de educação e delicadeza. No debate político é importante demonstrar absoluta segurança, conhecimento, convicção no que está dizendo e credibilidade, sem pestanejar nas respostas que pareçam grosseiras. Não é lugar para arcanjos. Titubear nas palavras transmite insegurança e isso pode derrubar qualquer cidadão que dispute o Governo, mesmo que esteja no alto das pesquisas. No debate que a Rede Globo de Televisão promove amanhã, através de sua afiliada em Sergipe, há algum rigor no regulamento. As primeiras informações são de que não existem perguntas de um candidato para outro, o que imediatamente deixaria de ser um debate para se transformar numa simples entrevista. Mas já se sabe que algumas perguntas serão feitas pelo mediador, através de sorteio, e haverá etapas em que José Eduardo Dutra e João Alves Filho farão pergunta entre si. Sergipe vai ouvir este confronto e o resultado final pode definir quem será o governador do Estado, mesmo que algumas pessoas não acreditem nisso. O aconselhável é que os dois estejam bem preparados, dispostos, descansados e de línguas afiadas, porque suas exposições, respostas, competência, conhecimento, projetos e programas podem definir quem está capaz de administrar Sergipe nos próximos quatro ou oito anos. Nem por isso pode-se deixar de esquecer que, como a regra três, menos vale mais. Com o governador Albano Franco foi assim. Em 1994 ele conseguiu perder o debate e ganhar o pleito. Mas isso não acontece com muita freqüência. AQUIDABÃ O prefeito de Aquidabã, Eurico de Souza Filho (PPS) disse, ontem, que desconhecia qualquer mudança no eleitorado de sua cidade. Garante que João será bem votado no município. Acrescentou que recebeu a notícia de que José Eduardo (PT) estava bem no seu município, com muita surpresa. EXPLICAÇÃO Eurico Souza disse que na verdade nunca anunciou apoio a candidato nenhum de Albano Franco, mas disse que se ele realizasse algumas obras na cidade, apoiaria quem ele indicasse. Como as obras não foram realizadas, Eurico resolveu apoiar João Alves Filho... Ele acha que em razão dessa posição, não tem nada a ver pessoal ficar fazendo um policiamento em sua cidade, quanto à votação para o Governo. CANDIDATURA O governador Albano Franco (PSDB) ainda não tem projetos políticos declarados, mas alguns dos seus amigos acham que ele disputará o Senado em 2006. Além de Maria do Carmo Alves, que deve disputar a reeleição, Albano Franco não terá outro nome mais forte para enfrenta-lo nas urnas, nestes próximos quatro anos. REPARO O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), considerou que Plenário foi injusto com a militância do partido, no comentário de ontem, em que pediu cautela aos dois lados para evitar algum acidente. Déda disse que no domingo passado, em frente a um hotel da Atalaia, o deputado federal eleito Mendonça Prado disse impropérios contra a militância e o pessoal reagiu. ESTRESSE Marcelo Déda mostra que nesta reta final de campanha todos estão estressados, mas as lideranças não devem perder o controle do pessoal e não podem fazer e nem revidar provocações. Lembrou uma jovem, com adesivos do PFL, que tentou entrar em uma passeata do PT: “pedir a moça, pelo amor de Deus, que não fizesse aquilo”. Ela estava com raiva porque colocaram um adesivo no seu carro. LULA É praticamente impossível mais um visita de Lula a Aracaju nestes últimos dias de campanha. Ontem ele conversou com Marcelo Déda e disse que ainda tinha sete compromissos inadiáveis. Entretanto, o governador eleito do Piauí, deputado federal Wellington Dias (PT), chega hoje para dar uma ajuda à campanha de José Eduardo Dutra. CONVERSA O candidato a presidente pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou longamente com Marcelo Déda, ontem, e disse que estava acompanhando tudo em Sergipe. Depois de demonstrar preocupação, Lula mandou dizer a José Eduardo que não perdesse a tranqüilidade neste final de campanha. DEBATE José Eduardo Dutra vai fazer a campanha até hoje, com ritmo menos acelerado. Amanhã descansa para o debate à noite na TV Sergipe. O prefeito Marcelo Déda reconhece que o grau de demanda do segundo turno é extremamente estressante e que ninguém consegue atuar com normalidade. SERTÃO O candidato ao Governo pelo PFL, João Alves Filho, passou o dia de ontem em uma carreata por várias cidades do sertão sergipano, para fechar a campanha no interior. Segundo o pessoal da assessoria, foi “emocionante a receptividade do povo, que continua tendo João Alves Filho como um líder da região”. DEBATE A partir de hoje o governador João Alves Filho vai descansar para o debate de amanhã na TV Sergipe. Inclusive rever algumas coisas e preparar documentação. João Alves também vai treinar com a sua assessoria. Quer estar bem afiado para debater projetos de Governo com o seu adversário, José Eduardo Dutra. CONDIÇÕES A televisão determinou um número de pessoas para penetrar no ambiente da televisão e dá assessoria aos seus candidatos. João Alves Filho já avisou que vai cumprir tudo, mas se chegar à emissora e ela for invadida por outras pessoas convidadas, pede desculpas à produção e se retira. MILITÂNCIA O PFL já está preparando para colocar centenas de militantes em frente ao prédio onde funciona a televisão, para fazer festa enquanto ocorrer o debate. O PT ainda não avisou que faria isso, mas a sua militância não deixará de comparecer para incentivar o seu candidato ao Governo. DISCUSSÃO O prefeito de Itabaiana, Luciano Bispo (PMDB), teve uma conversa áspera com o seu colega Jerônimo Reis (PTB), depois dele ter desistido de dar apoio a João Alves Filho. Luciano teria dito que Jerônimo não deveria ter assumido o compromisso de fazer aliança com o PFL e depois se incorporar à campanha de José Eduardo Dutra. MUDANÇA É muito provável que o secretário da Indústria e Comércio, José Guimarães, deixe o Governo logo após as eleições. Há uma pressão pela sua demissão. Guimarães teria trabalhado para o PFL no primeiro turno e hoje continua firme apoiando a candidatura de João Alves Filho. Isso desagrada a setores da cúpula administrativa. Notas OBRIGAÇÃO A deputada estadual Susana Azevedo (PPS), que assumiu para valer a campanha de João Alves Filho (PFL) critica o petista José Eduardo Dutra por divulgar que colocou dois milhões de reais em emendas do Orçamento Geral da União para Sergipe. Susana acha que o senador não fez mais do que sua obrigação. Pronta para alfinetar, Susana Azevedo faz uma pergunta e deixa no ar: “será que José Eduardo Dutra queria colocar todo esse dinheiro para Minas Gerais”. Susana está na linha de frente da campanha do PFL ao Governo do Estado. VIOLÊNCIA A campanha está tomando características de que pode ser violenta, porque a juventude do PFL está disposta a permanecer nas ruas, fazendo frente ao trabalho da militância petista. Domingo passado na praia de Atalaia, já houve uma demonstração de enfrentamento, sinalizando que disputa está acirrada no campo político e entre eleitores. A militância petista, inclusive, ainda não tinha enfrentado um grupo disposto a segurar seus passos e ultrapassar seus atos, em favor de um candidato. O objetivo é evitar qualquer crescimento de José Eduardo na Capital. SEGURANÇA Alguns deputados estaduais começam a demonstrar preocupação com esse clima que avança na capital. As lideranças dos dois partidos também. O secretário da Segurança, Gilberto Passos, está sendo alertado por deputados para que tome providências e comece a atuar para coibir qualquer violência neste segundo turno, domingo próximo. Segundo um dos parlamentares, o pessoal está temendo até derramamento de sangue, porque os ânimos estão absurdamente acirrados e podem não ser controlados pelos líderes. Domingo será um dia que merece atenção desdobrada da Polícia. É fogo Alguém colou um adesivo do candidato do PFL, João Alves Filho, no carro do prefeito Marcelo Déda, quando estava estacionado na garagem do seu apartamento. O prefeito não se alterou e até achou que faz parte do jogo. Tirou o adesivo e colocou outro do seu partido, sem qualquer problema. O deputado Augusto Bezerra (PMDB) tem sido um dos que mais trabalham para eleger o candidato do PFL, João Alves Filho. O Palácio dos Despachos está dividido. Muita gente vota em José Eduardo Dutra e outras parte está com João Alves Filho. Não poderia durar muito tempo o relacionamento entre Francisco Rollemberg e Leon Schuster. Era questão de momentos. O pessoal continua insistindo que o resultado do Ibope despertou o eleitorado de João Alves Filho, que estava meio paradão. A sede do PSDB em Sergipe não tem uma única peça publicitária do candidato tucano a presidente da República, José Serra. Aliás, em todas as regiões do Estado, o eleitorado decidiu votar em Luiz Inácio Lula da Silva para presidente. É uma coisa impressionante. A informação é de que José Eduardo Dutra ganha em bom número de cidades no interior do Estado, em razão dos problemas regionais. O deputado federal eleito Jackson Barreto tem participado de toda programação do candidato José Eduardo Dutra. Até o momento ninguém viu a participação do deputado estadual eleito Fabiano Oliveira fazendo campanha para José Eduardo Dutra. Aparentemente esperto, Fabiano não pretende se incompatibilizar com ninguém, para sempre se sair bem com quem ganhar o pleito. O professor Dudu, que foi bem votado para deputado federal em Estância, trabalha muito na conquista de votos para José Eduardo Dutra. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br
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